Arquivo pessoal http://david.guimaraes.eng.br Registrando algumas ideias Mon, 25 Sep 2017 13:14:23 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.8.2 Auto-tolerância zero http://david.guimaraes.eng.br/auto-tolerancia-zero/ http://david.guimaraes.eng.br/auto-tolerancia-zero/#respond Mon, 25 Sep 2017 12:04:16 +0000 http://david.guimaraes.eng.br/?p=351 Tolerância zero, no âmbito da segurança pública, se refere a um modelo de trabalho em que a força policial é especialmente intransigente com delitos menores, como não pagar o transporte público, a prostituição, os pequenos furtos, etc. O objetivo é incutir na população o hábito do respeito à legalidade, o que produziria em médio prazo uma redução nos índices de microcriminalidade, mas com uma diminuição dos delitos de maior importância no médio e longo prazo. Este conceito ficou bastante conhecido quando aplicado na cidade de Nova Iorque pelo prefeito Rudolph Giuliani.

Um exemplo oposto está ocorrendo atualmente na cidade do Rio de Janeiro, quando a prefeitura, visando viabilizar uma ocupação para a população desempregada, decidiu fazer “vistas grossas” ao comércio ambulante, antes razoavelmente regulado. O resultado foi uma inundação de camelôs e vendedores de rua, comercializando produtos roubados ou falsificados, e gerando uma concorrência tão grande com o comércio formal que está causando o fechamento de diversas lojas, especialmente no centro da cidade.

O conceito de tolerância zero deve ser aplicada à nossa própria vida espiritual – o que poderia ser chamado de auto-tolerância espiritual zero. Não se trata aqui de procurar falhas e pequenos escorregões na vida dos outros, mas de praticar um auto-exame diário, buscando pequenas coisas e atitudes que nos impedem de ouvir a voz do Espírito Santo.

De forma similar a situação de uma cidade, a tolerância a pequenas atitudes incorretas gera a um relaxamento em nossa disciplina. Afinal, “ninguém é perfeito”, e “não se pode ser santo o tempo todo”. Essa aceitação do erro sem confissão e abandono da atitude nos leva a pecados cada vez maiores. Cada vez que, racionalmente, tentamos justificar o nosso pecado diante de Deus, estamos impedindo o Espírito Santo de nos mostrar em ensinar coisas maiores. Pois se não aceitamos a orientação e correção do Espírito nas pequenas coisas, como vamos ouvir a voz de Deus para as grandes coisas?

A racionalização dos nossos pequenos pecados nos impede de deixar que Deus haja em nossa vida. Começando pela sonegação de pequenos valores em impostos, estacionamento em locais inadequados, furar filas. Passando por ignorar a necessidade de outras pessoas, preguiça e procrastinação nas coisas de Deus. Chegando a mágoas não resolvidas com irmãos, respostas grosseiras e dadas por impulso, soberba espiritual. Começamos deixando passar coisas pequenas e aparentemente sem importância, mas terminamos com atitudes que trazem consequências bem maiores e acabam por nos afastar de Deus.

Deus requer de nós que sejamos irrepreensíveis – isso não significa que não temos pecado, mas que todo pecado é confessado imediatamente quando identificado. Assim, quando alguém vier nos repreender podemos dizer: “sim, Deus está trabalhando comigo nisso”.

Proponho aqui a auto-tolerância espiritual zero. Não deixe passar nada. Mantenha-se em sintonia com o Espírito Santo para que ele mostre o que deve ser corrigido na sua vida. Não peça grandes revelações enquanto você não é capaz de seguir as pequenas revelações que Ele tem te dado sobre você mesmo.

“Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei” também se refere à ação do Espírito Santo na nossa vida.

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Consertando o aquecedor BOSCH GWH 300 com erro 61 http://david.guimaraes.eng.br/consertando-o-aquecedor-bosch-gwh-300-com-erro-61/ http://david.guimaraes.eng.br/consertando-o-aquecedor-bosch-gwh-300-com-erro-61/#comments Sat, 15 Jul 2017 19:09:33 +0000 http://david.guimaraes.eng.br/?p=337 Faz alguns meses o aquecedor a gás do meu apartamento começou a dar problemas. Algumas vezes ele não ligava a chama ao abrir a água, e indicava o erro 61. Na maioria das vezes bastava desligar o aquecedor (o aquecedor mesmo, e não simplesmente fechar a água) e ligá-lo novamente que o problema desaparecia.

Depois de algumas semanas o problema começou a ficar mais frequente, até que em certo momento ele praticamente não ligava mais a chama, mesmo desligando e ligando sucessivas vezes.

Observando o funcionamento, notei que o erro ocorre quando a ventoinha do aquecedor não é acionada. Por ser um aquecedor que precisa de ventilação forçada, a falha da ventoinha impede que o gás seja aberto – isso é um recurso de proteção importante. Ou seja, o erro 61 ocorre quando há uma falha da ventoinha (ou ventilador).

Como o aquecedor já estava funcionando faz alguns anos, não havia mais garantia. Abri o mesmo procurando algum mal contato nas conexões da ventoinha, mas tudo parecia em ordem. Retirar as conexões da placa e colocar novamente pode ser a solução para alguns, como indicado neste video. Fiz isso e ele funcionou mais algum tempo, mas depois já não resolvia o problema

Após alguma pesquisa na Internet, vi que alguns consumidores descobriram que um tapa do lado do aquecedor o fazia voltar a funcionar, como neste video. Tentei o truque do tapa uma vez e funcionou, mas depois já não resolvia mais.

Ora, se um problema é resolvido com um tapa, isso tipicamente é uma condição de mal contato. Mas eu já havia conferido todos os conectores, e estavam todos bem firmes. De forma que parti para uma solução mais radical. Retirei a placa e conferir todas as soldas dos componentes. Observei que uma parte da placa estava com pouca solda – provavelmente uma falha no processo de soldagem – alguns destes pontos com bem pouca solda. Refiz as soldas desta parte da placa, bem como de todos os conectores da placa. Sucesso! O resultado foi que o aquecedor está funcionando já faz duas semanas sem nenhum problema.

A placa está presa ao fundo do aquecedor por dois parafusos que podem ser retirados facilmente. Os conectores tem trava, mas saem facilmente. Ficam apenas 3 fios: 2 deles estão conectados a sensores específicos, e devem ser desconectados na ponta do fio. Há também um fio terra, com um conector que está preso à carcaça por um parafuso. Todos estes 3 fios podem ser soltados facilmente.

A tampa da caixa onde está a placa está presa por 4 parafusos. A placa está parafusada na parte inferior da caixa por 5 pequenos parafusos. Mesmo depois de soltar estes parafusos tive a impressão que a placa estaria colada na tampa inferior, mas não era o caso. É provável que o verniz da placa tenha grudado na tampa inferior – com algum cuidado consegui soltar a placa da tampa inferior.

Se você não tem experiência com isso, ou não tem um bom ferro de solda ou tem e não sabe como usá-lo, peça a ajuda a um amigo que mexa um pouco com eletrônica em troca de uma boa pizza. Não é necessário conhecer o funcionamento do circuito – basta uma inspeção visual para observar os pontos onde refazer a solda será necessário. Sugiro – como eu fiz – também refazer a solda dos terminais dos conectores.

Aposto que você pagar uma pizza para seu amigo vai ser mais barato do que trocar a placa, que custa cerca de R$300, mais a mão de obra do técnico.

Se você é o técnico que seu amigo chamou para ajudar, seja camarada. Uma boa pizza e um bom papo muitas vezes vale mais do que uma grana.

Não tirei fotos do processo das soldas, mas seguem algumas fotos do aquecedor desmontado.

Conectores da placa. Tirei essa foto para ter certeza de que iria colocar todos os conectores no local correto novamente. Mas não foi necessário, pois os conectores são diferentes, e não entram no local errado.

Aquecedor após as soldas terem sido refeitas. Não coloquei a placa no lugar original, mas a deixei presa na carcaça do próprio aquecedor.

Aquecedor BOSCH GWH 300

Aquecedor BOSCH GWH 300

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Cuidados com os nossos filhos – nossa herança http://david.guimaraes.eng.br/cuidados-com-os-nossos-filhos-nossa-heranca/ http://david.guimaraes.eng.br/cuidados-com-os-nossos-filhos-nossa-heranca/#comments Sun, 04 Dec 2016 16:12:46 +0000 http://david.guimaraes.eng.br/?p=325

Salmo 127:3 – Eis que os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão.

filhosNão há dúvidas que os filhos são tesouros que o Deus nos dá. São heranças que recebemos para cuidar. Mas qual e melhor forma de fazer isso?

Seguem quatro pequenas histórias de sucesso e insucesso no cuidado dos filhos e da família.

Moisés e sua família

Moisés se casou com Zípora quando fugiu do Egito para Midiã. Ele havia fugido, pois tentou executar a missão de libertar o povo por conta própria, matando o egípcio.

Após ser chamado por Deus na sarça ardente, ele retornou ao Egito para libertar o povo. Ele se empenhou tanto nessa missão, que mandou a família de volta para a casa do seu sogro Jetro.

Após a saída do Egito, Jetro vem “devolver” a filha a Moisés, e observa que e ele não tem tempo para a família, pois passa o dia todo sentado e cuidando do povo. Neste momento Jetro dá o conselho que é conhecido como “conselho de Jetro”, sugerindo que Moisés organize melhor o seu esforço, dividindo a tarefa de cuidar do povo com outras pessoas.

Moisés sem dúvida era uma pessoa que tinha muita comunhão com Deus, e recebeu uma tarefa muito especial d’Ele para cumprir, tarefa essencial na história da Redenção. Porém quase perdeu sua família por conta de não saber como executá-la com equilíbrio.

Davi e seus filhos

Davi foi chamado o “homem segundo o coração de Deus”. Ele era uma pessoa tinha uma comunhão intensa com Deus, apesar de suas falhas. Os seus salmos são exemplos de intimidade, relacionamento profundo e transparência com Deus. Porém ele não sabia como cuidar dos filhos.

Davi teve diversos filhos. A Bíblia cita 18 pelo nome, e diz que ainda teve outros com suas concubinas. Apesar de Davi ter um relacionamento íntimo com Deus, não soube passar isso para seus filhos.

Seu filho Amnon estuprou a própria irmã Tamar, e Davi não o repreendeu – a Bíblia diz isso textualmente. Depois Absalão, o irmão de Tamar, matou a Amnon como vingança.

Davi não tratou a situação, não corrigiu nem Amnon nem o próprio Absalão. Davi não se preocupou em tratar os relacionamentos. Mesmo Salomão, apesar de toda a sua sabedoria, não tinha o mesmo relacionamento com Deus que seu pai tinha, e acabou se perdendo com muitas mulheres.

Ana, mãe de Samuel

Ana era estéril, mas Deus mudou a sua situação depois que ela derramou o seu coração diante de Deus. Ela compreendeu e resposta de Deus e dedicou o seu primeiro filho a Ele, deixando-o desde criança como auxiliar do sacerdote Eli.

É interessante observar que ela entendeu a missão de seu filho, entendeu que ele tinha uma missão para com o povo e para com Deus. Entendeu que Samuel seu filho não era sua posse, mas que ele havia sido dado a ela para que ela o preparasse para a obra de Deus.

Assim, ela o visitava periodicamente, levando uma nova túnica feita com carinho, para que seu filho usasse na obra de Deus.

Apesar de hoje esse procedimento não ser mais possível – até porque não temos mais um sacerdote único, ou mesmo um local específico para adoração – o que vale é o conceito de que os nossos filhos não são nossas posses, mas pessoas que foram deixadas sob nossa responsabilidade, e nosso papel é desenvolver as suas habilidades para que possam servir a Deus.

Eunice e Loide, avó e mãe espiritual

Timóteo foi um líder logo nos primeiros anos da igreja. Quando Paulo manda as cartas para ele, dá a entender que ele era um pastor bastante jovem, tentando superar os desafios de uma igreja crescente.

Timóteo é descrito com alguém que tinha uma “fé genuína”, ou “fé não fingida”. Significa que ele não era um cristão nominal, mas que realmente vivia o que pregava. Porém é interessante notar que Paulo cita explicitamente que essa fé ele recebeu de sua vó Eunice e sua mãe Loide. Sua fé era fruto do ensino e cuidado que tinha em casa, mesmo seu pai provavelmente não sendo um cristão.

Ele aprendeu com sua mãe e avó a maneira correta de se relacionar com Deus, em uma época em que já existiam muitos cristãos nominais, e que não havia tantos recursos didáticos como hoje para a educação dos nossos filhos.

Sua mãe e avó entenderam que era sua missão educar seu neto e filho, sem deixar isso para a EBD, DVDs evangélicos, livros, diários de hora silenciosa. O que fez diferença na vida de Timóteo foi aprender com a prática de fé de sua família.  No momento adequado Paulo o retirou de sua família para que ele o acompanhasse na obra e fosse assim preparado para o ministério.

Sua fé foi tão sólida que nas cartas que Paulo envia a ele quase não há correções ou críticas – Paulo basicamente dá a Timóteo instruções sobre como liderar a igreja. A questão espiritual estava resolvida.

Conclusão

Quatro histórias diferentes (Moisés, Davi, Samuel e Timóteo).

  • Moisés pensou que a missão era mais importante que a família;
  • Davi pensou que intimidade com Deus era suficiente;
  • Ana entendeu que seu filho era um presente, e deveria ser devolvido para Deus;
  • Eunice e Loide estavam conscientes da necessidade de passar a própria fé para os filhos.

Aprendamos com essas histórias!

Reflexão apresentada em
3 de dezembro de 2016
no chá de bebê de
Luiz Claudio e Sara Tureck

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O que aprendi sobre Deus na Paralimpíadas http://david.guimaraes.eng.br/o-que-aprendi-sobre-deus-na-paralimpiadas/ Sat, 10 Sep 2016 01:25:07 +0000 http://david.guimaraes.eng.br/?p=292 Já comentei em outro texto
o que aprendi sobre Deus
trabalhando nas Olimpíadas.
Mas Deus também me
ensinou nas Paralimpíadas.

Ao final da transmissão da solenidade de abertura das Paralímpiadas, um comentarista perguntou ao outro qual o sentimento que poderia resumir tudo o que assistiu. Não me lembro a resposta dada, mas para mim foi a celebração da imperfeição.

Nem tudo deu certo. Algumas faixas não abriram totalmente, houve pequenos atrasos nas entradas, uma portadora da tocha chegou a cair antes de completar o seu trajeto. Mas estas “imperfeições” estão curiosamente alinhadas com os próprios atletas que entraram no estádio: Todos eles são, de alguma forma, imperfeitos. A passagem das delegações foi um grande desfile de muletas, cadeiras de rodas, próteses, costas arqueadas, membros atrofiados. Problemas de nascença, outros resultantes de acidentes, sequelas de doenças adquiridas durante a vida. A imperfeição visível nos seus corpos. Mas uma imperfeição assumida. Não há porque esconder a sua limitação. É inevitável a comparação desta imagem com o desfile dos atletas olímpicos: corpos perfeitos, musculatura trabalhada, postura de vitória, soando em alguns casos como arrogância.

paralimpico-1E essa é a primeira lição que aprendi: espiritualmente nós não somos como atletas olímpicos. Somos atletas paralímpicos. Cada um de nós tem alguma imperfeição, uma falha de caráter. Usando a palavra certa: pecado. Nosso pecado nos torna distantes do projeto de homem criado à imagem e semelhança de Deus.

paralimpicoO atleta paralímpico assume a sua limitação – não há como escondê-la. Essa limitação inclusive o classifica em grupos na competição. O atleta paralímpico não tem orgulho de sua limitação, mas a aceita, declara e se desenvolve dentro das possibilidades que tem.

Da mesma forma, espiritualmente precisamos aceitar nossa condição de deficiência espiritual. A limitação pode ser a demora em perdoar, ou orgulho interior, dificuldade em falar a verdade, medo, falta de fé em Deus. Esconder o pecado, fazendo de conta que ele não existe não muda nada. Enquanto pecado não é declarado e confessado, não há o que fazer.

paralimpico-2Esta é a segunda lição: somente quem assume a sua limitação pode receber ajuda. Disfarçar, tentar esconder as falhas, não assumi-las e – o pior – manter uma postura de superioridade, só faz com que a sua limitação seja ainda mais aparente. Como disfarçar uma prótese de um membro amputado. Como manter a postura quando se tem as pernas de tamanho diferente?

Confessai as vossas culpas uns aos outros… e não “escondei as vossas culpas”. Declarar a nossa imperfeição nos permite ser ajudados.

Na minha escala de trabalho nas paralimpíadas pude observar um nadador que não tinha ambos os braços. Outro nadador tinha nanismo. Enquanto o primeiro não conseguia retirar o seu próprio casaco, a dificuldade do segundo era subir na plataforma. Mas cada atleta tinha ao seu lado um auxiliar que o ajudava conforme a sua limitação.

paralimpico-3Assim vem a terceira lição: as limitações não são iguais. Somente na natação são 13 categorias diferentes, desde nadadores cegos, passando por amputados até os deficientes intelectuais. E cada um precisa, obviamente, de um tipo de ajuda diferente, em níveis diferentes.

Espiritualmente também não somos iguais. Cada um tem suas dificuldades, e elas são diferentes. A falha de caráter que você tem (leia-se pecado) pode não ser o problema de quem está ao seu lado. E vice-versa. A Bíblia nos diz que devemos confessar as nossas culpas uns aos outros e orar uns pelos outros (Tiago 5:16). Está implícito neste texto que todos temos culpas, mas também que todos nós podemos ajudar alguém. Se você é forte em algo em que seu irmão é fraco, a ordem é ajudá-lo e não condená-lo na sua falha. E se você é fraco em algo, peça ajuda para um irmão que não tem a mesma dificuldade que você.

Foi curioso ver, no desfile de abertura, um atleta em cadeira de rodas sendo empurrado por outro que mancava. paralimpico-4Enquanto o atleta na cadeira precisava do impulso, o atleta em pé usava a cadeira como apoio para manter o equilíbrio. Um precisava do outro.

E a quarta lição vem de assistir à bocha paralímpica. Em um das categorias os atletas praticamente só conseguem mover a cabeça. Eles têm que ser ajudados em praticamente tudo. Eles definem a estratégia da jogada, são levados até a posição na cadeira de rodas e, com a boca, posicionam a rampa e soltam a bola. É emocionante. Veja o vídeo.

Alguém que consegue mover apenas alguns músculos de seu corpo pode ser considerado um atleta? Sim, pode. Porque ele decidiu que há coisas que pode fazer, e ser um atleta é uma destas coisas. Sua limitação não é total. Ele não precisa mais do que a sua mente e a sua boca para participar da competição. Desde que tenha a ajuda adequada.

E você?

  1. Qual a sua limitação espiritual? Qual o seu pecado? Não adianta tentar escondê-lo.
  2. Você já buscou ajuda? Já pediu a alguém que ore por você e o acompanhe?
  3. Existe alguém à sua volta que você pode ser ajudado por você?
  4. A sua limitação está impedindo você de fazer algo? Peça ajuda.

smallgroupOs pequenos grupos – ou células – são o local ideal para que você ajude e receba ajuda. Uma célula é um ajuntamento de pessoas imperfeitas, que falam das suas lutas, dificuldades, pecados. Onde não há condenação, mas há uma mão estendida para você se apoiar na caminhada.

Afinal, cada um de nós tem algum tipo de imperfeição. Mas cada um de nós pode ajudar de alguma forma.


Leia também Três lições sobre Deus nas Olimpíadas.

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O medo gera a morte – o amor gera a vida http://david.guimaraes.eng.br/o-medo-gera-a-morte-o-amor-gera-a-vida-i/ Tue, 30 Aug 2016 02:26:47 +0000 http://david.guimaraes.eng.br/?p=287 carta-nabor-2

Ele morava em um prédio próximo ao meu, trabalhava no mesmo ramo que eu. Talvez eu o tivesse encontrado em alguma reunião profissional, no ônibus do condomínio, ou enquanto fazia minhas caminhadas…

O medo gerou a morte. O medo do futuro, de não conseguir cuidar de sua família como gostaria. Uma aposta profissional que não deu certo. A recolocação profissional neste mercado é complicada. No seu entendimento, a melhor maneira de evitar que a família sofresse foi leva-los junto com ele.

E explicação não nos convence – havia alternativas. Por que não as procurou? Uma resposta difícil, não só de descobrir, mas, sobretudo, de entender, pela complexidade que é o ser humano e suas tramas existenciais.

É claro que não se pode ignorar os efeitos e o poder de uma crise emocional sobre uma pessoa afetada pela derrota. Mas também não podemos ser simplistas e céleres em querer rotular determinado grupo de pessoas como mais vulnerável a ter comportamentos “desviantes” – e que podem chegar a atos homicidas.

Pessoas são histórias ambulantes. E histórias são um encadeamento de fatos, episódios e incidentes pequenos, que silenciosamente, podem ir minando nossa maneira de responder à vida. Muitas vezes, não nos damos conta de que somos resultados de muitas ligações (físicas, emocionais, químicas, culturais, espirituais) e que há muitas expectativas lançadas sobre nós.

A atualidade não nos prepara para lidarmos com frustrações. Pelo contrário, o apelo a uma carreira de sucesso tem criado um tipo de sociedade que nega os seus fracassos. Por isso, como medir o peso de uma demissão que denuncia que você simplesmente não serve para ser aquilo com o qual sempre sonhou? Como não se sentir culpado ou injustiçado pelas circunstâncias da vida?

“Sinto um desgosto profundo por ter falhado com tanta força, por deixar todos na mão mas, melhor acabar com tudo logo e evitar o sofrimento de todos”

A carta encontrada depois nos dá pistas de que algo não estava indo bem já faz algum tempo. Mas ninguém percebeu isso. Ou ninguém imaginou que, apesar dos problemas, o final seria trágico.

É missão da Igreja de Cristo criar mecanismos inter-relacionais que percebam e permitam que pessoas como Nabor sejam acolhidas nos seus medos e que, olhando para nós, possam ser dissuadidas de qualquer ideia de desperdício ou desistência da vida… e muito menos, da vida alheia. Que nossas mãos promovam acolhimento.

Que cada pessoa que cruzar pelo nosso caminho seja envolta por atenção e aceitação, independente de sua carreira profissional.

“Sonda-me, ó Deus, e analisa o meu coração. Examina-me e avalia as minhas inquietações!” (Bíblia, Salmo 139:23)

Adaptação do texto de Eduardo Pena.

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O medo gera a morte – o amor gera a vida http://david.guimaraes.eng.br/o-medo-gera-a-morte-o-amor-gera-a-vida/ Tue, 30 Aug 2016 02:07:21 +0000 http://david.guimaraes.eng.br/?p=277 Ele morava em um prédio próximo ao meu, trabalhava no mesmo ramo que eu. Talvez eu o tivesse encontrado em alguma reunião profissional, no ônibus do condomínio, ou enquanto fazia minhas caminhadas…

O medo gerou a morte. O medo do futuro, de não conseguir cuidar de sua família como gostaria. Uma aposta profissional que não deu certo. A recolocação profissional neste mercado é complicada. No seu entendimento, a melhor maneira de evitar que a família sofresse foi leva-los junto com ele.

E explicação não nos convence – havia alternativas. Por que não as procurou? Uma resposta difícil, não só de descobrir, mas, sobretudo, de entender, pela complexidade que é o ser humano e suas tramas existenciais.

É claro que não se pode ignorar os efeitos e o poder de uma crise emocional sobre uma pessoa afetada pela derrota. Mas também não podemos ser simplistas e céleres em querer rotular determinado grupo de pessoas como mais vulnerável a ter comportamentos “desviantes” – e que podem chegar a atos homicidas.

Pessoas são histórias ambulantes. E histórias são um encadeamento de fatos, episódios e incidentes pequenos, que silenciosamente, podem ir minando nossa maneira de responder à vida. Muitas vezes, não nos damos conta de que somos resultados de muitas ligações (físicas, emocionais, químicas, culturais, espirituais) e que há muitas expectativas lançadas sobre nós.

A atualidade não nos prepara para lidarmos com frustrações. Pelo contrário, o apelo a uma carreira de sucesso tem criado um tipo de sociedade que nega os seus fracassos. Por isso, como medir o peso de uma demissão que denuncia que você simplesmente não serve para ser aquilo com o qual sempre sonhou? Como não se sentir culpado ou injustiçado pelas circunstâncias da vida?

carta-nabor-2

“Sinto um desgosto profundo por ter falhado com tanta força, por deixar todos na mão mas, melhor acabar com tudo logo e evitar o sofrimento de todos”

A carta encontrada depois nos dá pistas de que algo não estava indo bem já faz algum tempo. Mas ninguém percebeu isso. Ou ninguém imaginou que, apesar dos problemas, o final seria trágico.

É missão da Igreja de Cristo criar mecanismos inter-relacionais que percebam e permitam que pessoas como Nabor sejam acolhidas nos seus medos e que, olhando para nós, possam ser dissuadidas de qualquer ideia de desperdício ou desistência da vida… e muito menos, da vida alheia. Que nossas mãos promovam acolhimento.

Que possamos criar mecanismos inter-relacionais que percebam e permitam que pessoas como Nabor sejam acolhidas nos seus medos e que, olhando para nós, possam ser dissuadidas de qualquer ideia de desperdício ou desistência da vida… e muito menos, da vida alheia. Que nossas mãos promovam acolhimento.

Que cada pessoa que cruzar pelo nosso caminho seja envolta por atenção e aceitação, independente de sua carreira profissional.

“Sonda-me, ó Deus, e analisa o meu coração. Examina-me e avalia as minhas inquietações!” (Bíblia, Salmo 139:23)

Adaptação do texto de Eduardo Pena.

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Três lições sobre Deus nas Olimpíadas http://david.guimaraes.eng.br/tres-licoes-sobre-deus-nas-olimpiadas/ http://david.guimaraes.eng.br/tres-licoes-sobre-deus-nas-olimpiadas/#comments Tue, 23 Aug 2016 23:34:31 +0000 http://david.guimaraes.eng.br/?p=260 13913818_1192381800813813_7888955117386890747_oTive a oportunidade de atuar como voluntário nas Olimpíadas realizadas no Rio de Janeiro. Foi uma experiência única. Das muitas coisas que vi, tirei três profundas lições espirituais.

A primeira lição foi sobre como Deus nos vê.

Atuei como voluntário no tênis de mesa, na equipe de apoio aos atletas que estavam nas áreas de treinamento e aquecimento. Porém não me considero um “mesatenista”, mas sim um “pingpongueiro”. Ao contrário dos outros voluntários que trabalharam comigo, não conhecia os atletas que se destacam nessa modalidade. Assim, com alguma frequência ouvi frases do tipo: “Caramba, olha lá o Fulano de Tal, tantas vezes campeão europeu”, ou “Esse que passou atrás de você está a tantos anos sem perder um campeonato mundial”. Eu porém, na minha ignorância, mal era capaz de identificar quem eram atletas e quem eram os auxiliares das equipes.

IMG_7452_1bPode não parecer muita coisa, porém considere que o tênis de mesa é um dos principais esportes na China e Japão, e estes atletas são admirados por mais de um bilhão de pessoas.

Isso me fez pensar sobre a forma que Deus nos vê. Todos somos iguais diante dele, independente de nossos cargos, conquistas, talentos. Tudo o que fizemos ou conquistamos não nos dá nenhuma prioridade ou privilégio diante d’Ele, pois Ele ama a todos da mesma forma. Mesmo os que não o conhecem nem o buscam.

O grande desafio é nós conseguirmos ver as pessoas com os mesmos olhos que Deus vê. Deixar de lado o que é exterior e amar as pessoas de uma forma igual.

A segunda lição tem a ver com a preparação dos atletas.

Todos eles estavam sempre envolvidos com alongamentos doloridos antes e depois dos treinos, e bolsas de gelo nos ombros e outras articulações. E esse processo já acontecia mesmo antes do jogo ou treino. A dor que o atleta sentia não vinha de uma acidente ou uma queda durante o jogo, mas do próprio processo de treinamento e preparação para o jogo.

Quando eu ou você praticamos algum esporte de forma amadora, normalmente nós vamos até o limite do conforto, ou seja, “vou correr um pouco mas sem forçar”, ou “vou jogar uma bola para aliviar o estresse”. E quando cansamos da atividade saímos para tomar um banho quente e fazer um lanche. Se você é alguém que leva o esporte um pouco mais a sério, você vai até o limite da dor. O seu jogo dura até que a perna comece a doer, joga tênis até sentir aquela dor no punho. Você chegou ao seu limite, e sabe que se passar deste ponto pode se machucar. Sábia decisão. Mas os atletas de alto desempenho superam estes dois limites e treinam à exaustão. Não importa se eles tem vontade ou não, se está doendo ou não. É preciso chegar à velocidade máxima, ao saque perfeito, melhorar os reflexos.

É inevitável lembrar da comparação que Paulo faz de nossa vida espiritual com a vida de um atleta, porém na aplicação do conceito muitas vezes paramos no limite do conforto. Lemos a Bíblia quando temos disposição, oramos enquanto os joelhos não doem. “Caminhar mais uma milha”, cansa. Abrir mão dos nossos desejos é chato …

Deus nos prometeu vitórias espirituais, mas nunca falou sobre uma vida confortável. Jesus prometeu a companhia dele na dor, e não a ausência de dor. Como atletas espirituais, ainda não chegamos à exaustão. Estamos parando quando o conforto acaba. Não deve ser assim.

entrada-atletasA terceira lição eu aprendi na abertura das Olimpíadas.

Quantas cores de pele diferentes, e cada cor com vários tons. Cabelos longos, curtos, claros, escuros, lisos, ondulados. Fiquei maravilhado com a diversidade de cores nas bandeiras, tão diferentes e representando as riquezas de cada nação. As culturas sendo representadas nos diferentes trajes – longos e curtos, discretos e coloridos, trajes de gala ou informais. Dezenas de tipos de chapéu. Centenas de maneiras diferentes de se comunicar, de se expressar.

No Salmo 96 a Bíblia nos diz que todas nações irão louvar a Deus – imagino que cada uma o fará de uma forma diferente, de acordo com a sua cultura. O céu vai ser um lugar muito divertido … 😀

Assim …

Vamos aprender a ver as pessoas como Deus as vê.

Vamos abrir mão do nosso conforto para conhecer a Deus.

Vamos aprender com a beleza da diversidade criada por Deus.


Deus também me ensinou no meu trabalho nas Paralimpíadas. Leia nesse texto.

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Wright Brothers, Santos Dumont and the mobile phone http://david.guimaraes.eng.br/wright-brothers-santos-dumont-and-the-mobile-phone/ Mon, 15 Aug 2016 02:55:35 +0000 http://david.guimaraes.eng.br/?p=252 wright-dumont-celular

[veja o original em português]

The 2016 Summer Olympics opening ceremony in Rio de Janeiro has revived the discussion (at least in Brazil) about the invention of the airplane. Depending on the criteria you use, you can choose if it was the Americans or the Brazilian. But this controversy involves a theme even deeper, which is the way Americans and Europeans treat their inventions. I said “European” because Santos Dumont was born in Brazil, but was educated in France. He developed his aeronautical research under the influence of the European scientific environment.

In a simplified way, I can say that Americans treat their inventions with the vision “I made it, and I want to make money selling it.” Obviously the Europeans also want to make money, but always with a real benefit to the community in general. Something like “I made it, and I want to earn money by sharing it.”

These two ways of thinking can be observed in the invention of the airplane. While the Wright Brothers were concerned to keep their experiences and research a secret, while trying to sell the patent of the aircraft for the US Army, Santos Dumont tried to make public demonstrations. He was aware of the difficulty that was to pilot the 14 Bis so he created a “popular model”, the Demoiselle, and shared the project with the public.

This trend can be observed in many other inventions and projects now widely used:

  • Linux: designed and created by Linus Torvalds, Finnish.
  • The internet is an American project, but browsing the internet via WWW was conceived by Tim Berners Lee, an English physicist, while he worked at CERN research center, that has 20 countries as members.
  • Arduino: designed and created by Massimo Banzi, an Italian.
  • Raspberry Pi: designed by English teachers and scholars.

One of the best examples of this collaborative vision is in mobile telephony. As a commercial service, the mobile phone has emerged in the United States. After the success of the first generation, several companies began to compete for the standard definition of second generation. Meanwhile, across the Atlantic, organizations of various countries begun to work together, aware that it would be unreasonable that each have its own standards. The “Group Special Mobile – GSM,” was created and defines the standards that are now being used throughout the entire world, including the United States.

This group now is the 3GPP (Third Generation Partnership Project). There are dozens of working groups involving hundreds of companies, generating all the specifications that make possible for cell phones of any brand to work on virtually any cellular network in the world. Operators buy the equipment knowing that it will interoperate properly with each other and with any mobile phone that has been developed under this standard. And the specifications are all published on the 3GPP website.

The result can be seen in companies that are in the multi-billion dollar infrastructure cellular networks market: the biggest names in the market today are Nokia (Finland), Ericsson (Sweden), Huawei (China) and ZTE (China). The last big American company -Lucent – merged with Alcatel (France) in 2006 and was absorbed by Nokia in April 2015.

So today we have in this market only two Nordic and two Chinese companies.

Do we have something to learn from this?

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About the discussion over the invention of the airplane, I suggest the excerpt of the Santos Dumont book, O que eu vi e o que nós veremos (What I see and what we will see), in Portuguese (1918)

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bi000197.pdf

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Os irmãos Wright, Santos Dumont, e o celular http://david.guimaraes.eng.br/os-irmaos-wright-santos-dumont-e-o-celular/ Thu, 11 Aug 2016 16:22:20 +0000 http://david.guimaraes.eng.br/?p=240 wright-dumont-celular

A abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro reacendeu a discussão sobre a invenção do avião. Dependendo do critério usado para a avaliação, pode-se decidir por Santos Dumont ou pelos irmãos Wright. Mas essa polêmica envolve um tema ainda mais profundo, que é a forma como os americanos e os europeus tratam as suas invenções. Digo europeus pois Santos Dumont, apesar de ter nascido no Brasil, foi educado na França, e desenvolveu suas pesquisas aeronáuticas influenciado pelo ambiente científico europeu.

De uma forma simplificada, arrisco dizer que os americanos tratam suas invenções com a visão “Eu inventei, e quero ganhar dinheiro vendendo isso”. Obviamente o europeu também quer ganhar dinheiro, mas sempre com um benefício para a comunidade em geral. Algo como “Eu inventei, e quero ganhar dinheiro compartilhando isso”.

Esse modo de pensar é bem observado na invenção do avião. Enquanto os irmãos Wright se preocupavam em manter suas experiências e pesquisas em segredo, e em tentar vender a patente do avião para o exército americano, Santos Dumont tratou de fazer demonstrações públicas e, ciente da dificuldade que era pilotar o 14 Bis, criou um “modelo popular”, o Demoiselle, e tornando seu projeto público para quem quisesse construir um.

Essa tendência europeia pode ser observada em diversos outros inventos e projetos hoje largamente utilizados:

  • Linux: idealizado e criado por Linus Torvalds, finlandês.
  • A internet é um projeto americano, mas a navegação na internet, via WWW, foi idealizada por Tim Berners Lee, físico inglês, enquanto trabalhava no CERN, centro de pesquisa que tem 20 países membros.
  • Arduino: idealizado e criado por Massimo Banzi, italiano.
  • Raspberry Pi: idealizado por professores e acadêmicos ingleses.

Um dos melhores exemplos desta visão colaborativa está, hoje, na telefonia móvel. Como serviço comercial, o telefone celular surgiu nos Estados Unidos. Após o sucesso da primeira geração do serviço, várias empresas começaram a disputar pela definição do padrão de segunda geração. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, órgãos de vários países começaram a trabalhar em conjunto, cientes de que não seria razoável que cada um tivesse seu próprio padrão de telefonia. Assim, foi criado o “Group Special Mobile – GSM”, que gerou o padrão de telefonia que hoje é usado em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos.

Esse grupo hoje é o 3GPP (Third Generation Partnership Project). São dezenas de grupos de trabalho envolvendo centenas de empresas, gerando todas as especificações que fazem com que celulares de qualquer marca funcionem em praticamente qualquer rede de telefonia celular do mundo. As operadoras contratam os seus vários fornecedores sabendo que seus equipamentos irão interoperar adequadamente entre si e com qualquer celular que tenha sido desenvolvido sob esse padrão. E as especificações estão todas publicadas no site 3gpp.org. Nas reuniões dos grupos de trabalho existe um compromisso em se buscar o consenso, apesar das diferenças de opinião e interesses de cada empresa.

O resultado disso pode ser observado nas empresas que estão no multi-bilionário mercado de infraestrutura para as redes de telefonia celular: os maiores nomes neste mercado hoje são Nokia (Finlândia), Ericsson (Suécia), Huawei (China) e ZTE (China). A última grande empresa americana – Lucent – fundiu-se com a Alcatel (França) em 2006 e foi comprada pela Nokia em abril de 2015.

Assim sobraram neste mercado apenas duas empresas nórdicas e duas chinesas.

Será que temos algo a aprender com isso?

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Especificamente sobre a polêmica do pioneirismo da invenção do avião, sugiro a leitura de trecho do livro de Santos Dumont O que eu Vi, o que nós veremos.

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O que eu vi, o que nós veremos http://david.guimaraes.eng.br/o-que-eu-vi-o-que-nos-veremos/ Thu, 11 Aug 2016 15:42:43 +0000 http://david.guimaraes.eng.br/?p=238 Trecho do livro de Santos Dumont, publicado em 1918, onde ele fala sobre a invenção do avião e a polêmica com os irmãos Wright. O conteúdo completo do livro está disponibilizado em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bi000197.pdf

Eu não quero tirar em nada  o mérito dos irmãos Wright, por quem tenho a maior admiração;  mas é inegável  que, só depois de nós, se apresentaram eles com um aparelho superior aos nossos,  dizendo  que era cópia de um que tinham construído antes dos nossos. Logo  depois dos irmãos Wright, aparece Levavassor  com o aeroplano “Antoinette”, superior a tudo quanto, então, existia; Levavassor  havia já 20 anos que trabalhava em resolver o problema do vôo; poderia, pois, dizer que o seu aparelho era cópia de outro construído muitos anos antes. Mas não o fez.

O que diriam Edison, Graham Bell ou Marconi se, depois que apresentaram em público a lâmpada elétrica, o telefone e o telégrafo sem fios, um outro inventor se apresentasse com uma melhor lâmpada elétrica, telefone ou aparelho de telefonia sem fios dizendo que os tinha construído antes deles?!

A quem a humanidade deve a navegação aérea pelo mais pesado que o ar? Às experiências dos irmãos Wright, feitas às escondidas (eles são os próprios a dizer que fizeram todo o possível para que não transpirasse nada dos resultados de suas experiências) e que estavam  tão ignoradas no mundo, que vemos todos qualificarem os meus 250 metros de “minuto memorável na história da aviação”, ou é aos Farman, Bleriot e a mim que fizemos todas as nossas demonstrações diante de comissões científicas e em plena luz do sol?

Nessa época, os aparelhos eram grandes, enormes, com pequenos motores, voavam devagar, uns 60 quilômetros por hora ou pouco  mais. Mandei, então, construir  um  motor especial de minha invenção, desenhado especialmente para um aeroplano minúsculo. Este motor possuía dois cilindros opostos, o que trás a inconveniência da dificuldade de lubrificação, mas, também, as vantagens consideráveis de um peso pequeno e um perfeito equilíbrio, não ultrapassado por qualquer outro motor. Pesava 40 quilos e desenvolvia 35 HP. Nunca se conseguiu um motor fixo, resfriado a água,  e de peso insignificante, somente igualado, mais tarde, pelos motores rotativos, aos quais, entretanto, fui sempre contrário, desde  o seu aparecimento. Hoje, 10 anos passados,  parece-me, confirma-se esta minha apreciação,  pois o motor fixo tem tido uma aceitação geral.

A “Demoiselle” media 10 metros quadrados de superfície de asas; era 8 vezes menor que o 14-bis! Com ela, durante um ano, fiz vôos todas as tardes e fui, mesmo, em certa ocasião, visitar um amigo em seu Castelo. Como era um aeroplano pequenino e transparente, deram-lhe o nome de “Libelule” ou “Demoiselle”. Este foi, de todos os meus aparelhos, o mais fácil de conduzir, e o que conseguiu maior popularidade. Com ele obtive a “Carta de piloto” de monoplanos. Fiquei, pois, possuidor de todas as cartas da Federação Aeronáutica Internacional: – Piloto de balão livre, piloto de dirigível, piloto de biplano e piloto de monoplano.

Durante muitos anos,  somente eu possuía todas essas cartas, e não sei mesmo se há já alguém que as possua. Fui pois o único homem a ter verdadeiramente direito ao título de aeronauta, pois conduzia todos os aparelhos aéreos. Para conseguir este resultado me foi necessário não só inventar, mas também experimentar, e nestas experiências tinha, durante dez anos, recebido os choques mais terríveis; sentia-me com os nervos cansados. Anunciei a meus amigos a intenção de pôr fim à minha carreira de aeronauta, – tive a aprovação de todos.

Tenho acompanhado, com o mais vivo interesse e admiração, o progresso fantástico da Aeronáutica. Bleriot atravessa a Mancha e obtém um sucesso digno de sua audácia. Os circuitos europeus se multiplicam; primeiro, de cidade a cidade; depois, percursos que abrangem várias províncias; depois, o “raid” de França à Inglaterra; depois, o “tour” da Europa. Devo citar também o primeiro “meeting” de Reins que marcou, pode-se dizer, a entrada do aeroplano no domínio comercial.

Entramos na época da vulgarização  da aviação  e, nessa empresa, brilha sobre todos,  o nome de Garros. Esse rapaz personificou a audácia; até então, só se voava  em dias calmos, sem vento. Garros foi o primeiro a voar em plena tempestade. Logo depois, atravessou o Mediterrâneo. O estado atual da aeronáutica todos nós o conhecem os, basta abrir os olhos e ler o que ela faz na Europa; e é com enternecido contentamento que eu acompanho o domínio dos ares pelo homem: É meu sonho que se realiza.

 

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