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O medo gera a morte – o amor gera a vida

By on ago 30, 2016 in Igreja |

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Ele morava em um prédio próximo ao meu, trabalhava no mesmo ramo que eu. Talvez eu o tivesse encontrado em alguma reunião profissional, no ônibus do condomínio, ou enquanto fazia minhas caminhadas…

O medo gerou a morte. O medo do futuro, de não conseguir cuidar de sua família como gostaria. Uma aposta profissional que não deu certo. A recolocação profissional neste mercado é complicada. No seu entendimento, a melhor maneira de evitar que a família sofresse foi leva-los junto com ele.

E explicação não nos convence – havia alternativas. Por que não as procurou? Uma resposta difícil, não só de descobrir, mas, sobretudo, de entender, pela complexidade que é o ser humano e suas tramas existenciais.

É claro que não se pode ignorar os efeitos e o poder de uma crise emocional sobre uma pessoa afetada pela derrota. Mas também não podemos ser simplistas e céleres em querer rotular determinado grupo de pessoas como mais vulnerável a ter comportamentos “desviantes” – e que podem chegar a atos homicidas.

Pessoas são histórias ambulantes. E histórias são um encadeamento de fatos, episódios e incidentes pequenos, que silenciosamente, podem ir minando nossa maneira de responder à vida. Muitas vezes, não nos damos conta de que somos resultados de muitas ligações (físicas, emocionais, químicas, culturais, espirituais) e que há muitas expectativas lançadas sobre nós.

A atualidade não nos prepara para lidarmos com frustrações. Pelo contrário, o apelo a uma carreira de sucesso tem criado um tipo de sociedade que nega os seus fracassos. Por isso, como medir o peso de uma demissão que denuncia que você simplesmente não serve para ser aquilo com o qual sempre sonhou? Como não se sentir culpado ou injustiçado pelas circunstâncias da vida?

“Sinto um desgosto profundo por ter falhado com tanta força, por deixar todos na mão mas, melhor acabar com tudo logo e evitar o sofrimento de todos”

A carta encontrada depois nos dá pistas de que algo não estava indo bem já faz algum tempo. Mas ninguém percebeu isso. Ou ninguém imaginou que, apesar dos problemas, o final seria trágico.

É missão da Igreja de Cristo criar mecanismos inter-relacionais que percebam e permitam que pessoas como Nabor sejam acolhidas nos seus medos e que, olhando para nós, possam ser dissuadidas de qualquer ideia de desperdício ou desistência da vida… e muito menos, da vida alheia. Que nossas mãos promovam acolhimento.

Que cada pessoa que cruzar pelo nosso caminho seja envolta por atenção e aceitação, independente de sua carreira profissional.

“Sonda-me, ó Deus, e analisa o meu coração. Examina-me e avalia as minhas inquietações!” (Bíblia, Salmo 139:23)

Adaptação do texto de Eduardo Pena.